20/09/2004

O Crescimento não é Sustentado

"O monopólio governamental sobre o dinheiro deve ser abolido para deter as recorrentes crises de inflação e deflação agudas que se têm notícias no mundo nos últimos 60 anos. Essa abolição é também a cura para doenças de raízes mais profundas das sucessivas ondas de depressão e desemprego e que são atribuídas, indevidamente, ao ‘capitalismo’”.

F. A. Hayek (DESESTATIZAÇÃO DO DINHEIRO, 1978).

No artigo anterior expliquei que a inflação ocorre quando o governo emite papel-moeda além do crescimento do produto interno bruto, o PIB. Dados do Banco Central revelam que, desde maio deste ano, a emissão de moeda pelo governo girou em torno de 20% acima do crescimento da economia, sendo que em julho atingiu 24%. Sendo assim, se o governo não estancar o processo de emissão de “moeda falsa” o perigo inflacionário torna-se cada vez mais eminente.

Mas porquê o Banco Central emite moeda em desacordo com o crescimento do PIB? Ora, essa é uma clara intenção de financiar os gastos do governo e/ou de estimular, artificialmente, a atividade econômica, pois o excesso de liquides estimula o consumo e pressiona a produção.

Não obstante, o fato de que o excesso de liquides estimule o consumo e a produção, o crescimento que daí decorre - que o governo e os economistas que o apoiam tem dito que se trata de um crescimento sustentado - é falso, pois a economia apresenta sinais de crescimento a partir de estímulos monetários artificialmente criados. Se o governo não restringir a emissão monetária a economia corre o sério risco de apresentar pressões inflacionarias e toda sua conseqüente tragédia, como corrosão da renda, queda da produção e mais desemprego.

Para o Brasil ingressar num ciclo de prosperidade econômica urge a necessidade do governo cortar seus gastos e reduzir paulatinamente a extorsiva carga tributária para níveis não maiores que 20% do PIB (hoje está próxima de 40% segundo fontes oficiais), eliminar os excessos burocráticos que torna proibitiva a iniciativa privada, garantir a propriedade privada, bem como, estabelecer a autonomia ou mesmo a independência do Banco Central a fim de dar maior certeza ao agentes econômicos de que o BC não praticará uma política monetária irresponsável com ora vem ocorrendo, pois a estabilidade de preços é uma condição imprescindível para o crescimento sustentável de um país.

Em qualquer livro texto de economia registra-se que o Banco Central tem que, eminentemente, cumprir o papel de “guardião da moeda”, ou seja, evitar que ela se deprecie, mantendo a estabilidade dos preços para que a economia avance num ambiente estável. No Brasil, a cada dia, torna-se mais claro que Banco Central rasgou seus princípios e que está a mercê das vontades do partido governante mesmo que elas estejam absolutamente desprovidas de sensatez.

Quando o governo infringe as leis da economia pretendendo criar a força um “canarinho” não é de se surpreender que dali não sai nem um canarinho nem outro pássaro semelhante. Entretanto, pode-se ter certeza que apesar da boa intenção (as mesmas que adornam o inferno!) produzirão um corvo, com toda sua feiura e disparidade diante do projeto anteriormente idealizado.

09/09/2004

Inflação: um dragão falecido?

Notícias dão conta de que a economia do País pode crescer até 5% este ano. Superando uma taxa a muito não alcançada. A razão do aquecimento da economia brasileira é o aumento das exportações, o que significa que a economia externa é que fomentou o aumento da produção interna.

Enquanto isso a demanda interna permanece em patamares tímidos em virtude da queda no poder de compra da moeda interna, ou no máximo, apresenta fracos sinais de crescimento. Uma razão eminente da queda do poder de compra da moeda é a excessiva criação de moeda pelo Banco Central que ao injetar dinheiro na economia, mais que a sua capacidade de produção, faz com que os consumidores gastem mais rapidamente o dinheiro principiando um processo inflacionário e, ao mesmo tempo, criando um aquecimento da economia não sustentável.

A ciência econômica garante que quando o governo (o aparato que detém o monopólio da criação e emissão de moeda) injeta mais moeda do que o produto total da economia (a soma de todos os bens e serviços produzidos em determinado tempo) os agentes econômicos tendem a gastar o dinheiro mais rapidamente, ou seja, eles preferem se desfazer da moeda o quanto antes, consumindo bens e serviços, pois temem que se deixar isso para depois a moeda não terá o mesmo poder de compra. Esse círculo vicioso se auto-alimenta na medida em que os agentes econômicos (as pessoas) percebem que há excesso de liquides na economia, e passam a gastar cada vez mais rápido seu dinheiro.

É esse processo que fomenta o que os economistas equivocadamente chamam de “aumento geral no nível de preços”, quando na verdade o que ocorre é uma depreciação do poder de compra da moeda em virtude do excesso de moeda-papel que o governo lança no mercado. Com o excesso, o valor da moeda vai se depreciando e, conseqüentemente, ela vai perdendo seu poder de compra. Entretanto, quando isso ocorre, o que os consumidores sentem é que os “preços subiram”, pois é o que se verifica nas prateleiras dos supermercados, das farmácias, no boleto da água, da luz etc.

Um processo inflacionário (ou mesmo “um pouco” de inflação como alguns suicidas querem para promover o crescimento) num sistema econômico é como um câncer que corrói um organismo. No caso do sistema econômico, a inflação prejudica em maior proporção às classes mais baixas que praticamente consomem tudo o que ganham e não podem poupar, pois guardar reservas em fundos de investimento é uma alternativa para se proteger da inflação. Além disso, em mais ou menos tempo, o governo se vê obrigado a lutar contra a inflação, que além de aumentar as desigualdades sociais ela agrava as contas públicas. Por isso o governo se vê obrigado a debelá-la sob pena de implosão do déficit público e da corrosão total do poder de compra da moeda, levando uma economia a total ruína com, desemprego, desigualdade, recessão e, como se não bastasse, inflação.

Verificado que o Banco Central vem ao longo dos últimos meses promovendo um aumento contínuo da oferta de moeda em relação ao crescimento da economia, o perigo inflacionário torna-se cada vez mais eminente. Caso o BC não rever a irresponsável condução da política monetária que vem praticando, a sociedade poderá vir sofrer o assalto da inflação em seus bolsos com a inevitável corrosão do poder de compra da moeda e, conseqüentemente, a “alta crescente e persistente dos preços” nas prateleiras, configurando um quadro desalentador para a economia brasileira.

O crescimento econômico que a economia brasileira vem apresentando, além de encontrar graves restrições em setores como o de transportes e energia (só para citar dois) pode ser impedido ainda com o perigo inflacionário. Mas enfim, não soa estranho que um governo que tem uma ideologia de inspiração estatista e totalitária, ressuscite alguns “dragõezinhos”.

02/09/2004

26/08/2004

A ESCOLA AUSTRÍACA DE ECONOMIA EM DEBATE

Dia 16 de setembro a UNIJUÍ-RS será palco de um inédito evento que se realizará no auditório da FIDENE, onde a comunidade acadêmica e demais, poderão conferir a palestra “A Escola Austríaca de Economia e as Perspectivas para a Economia Brasileira” com o palestrante Alfredo Marcolin Peringer, mestre em economia pela universidade de Michigan EUA e atualmente economista da FEDERASUL.

Graças ao louvável apoio do grupo PET e dos professores do departamento de Economia da UNIJUÍ, teremos a oportunidade de ouvirmos Alfredo Peringer dissertar sobre a teoria econômica da Escola Austríaca, escola que embora de grande importância para a ciência econômica, permanece criminosamente excluída nas ementas curriculares das faculdades de economia do país. Por isso o ineditismo da iniciativa dos estudantes de economia em trazer esse debate para nossa universidade.

A Escola Austríaca de Economia nasceu em fins do século XIX com o trabalho do economista Karl Menger, quando contribuiu decisivamente para a teoria do valor, mas ela só foi tomar efetiva forma de escola do pensamento econômico com os trabalhos de Ludwig von Mises, até hoje considerado o grande gênio da Escola Austríaca.

Seu primeiro trabalho publicado foi sua tese de doutoramento em 1912, quando dissertou sobre a moeda e posteriormente viria a escrever um tratado sobre a impossibilidade econômica do socialismo onde apresentou uma refutação cabal às idéias do planejamento econômico centralizado, numa época aliás em que o socialismo estava sendo implantado em vários países do mundo e com todo o apoio de grandes intelectuais da época; circunstância que fez Mises se tornar marginalizado nos meios acadêmicos e até perseguido pelo regime nazista quando morava em Viena, na Áustria. Mas seu derradeiro livro foi e é Ação Humana – Um Tratado de Economia (1949), onde o economista apresentou uma obra integrando toda sua genialidade e originalidade no estudo da ciência econômica.

Essa originalidade de Mises que passou à toda geração dos teóricos da Escola Austríaca, foi o grande postulado da praxeologia. Isto é, ele percebeu que a economia é uma ciência da ação humana (e não de agregados econômicos), e ainda flertou que a economia é a parte mais elaborada dela.

A investigação epistemológica de Mises levou o eminente filósofo e professor Olavo de Carvalho a afirmar que von Mises é o mais filósofo de todos os economistas, o que denota um valor importante para o cientista. Pois as investigações científicas sejam elas quais forem, devem seguir a critérios éticos e princípios que remontam aquilo que na Grécia antiga se convencionou chamar de amante da sabedoria, ou filósofo. Termo absolutamente desvirtuado de seu sentido original em nossos tempos. Pois, hoje, para cúmulo, um canudo representa muito mais do que efetivamente faz e é o sujeito denominado filósofo, pois desde fins do século XIX ele passou a representar um cargo funcional e não o que designa o termo clássico, o amante da sabedoria. Sem sombra de dúvidas, Mises era um filósofo no sentido clássico do termo.

A ciência da ação humana legou a ciência econômica um importante instrumento para se analisar e compreender os fenômenos de ordem econômica. O que ela demonstra, em última instância, é que a economia lida com a ação humana e reconhece que o homem age e age sempre com o propósito de sair de uma situação menos satisfatória para outra situação mais satisfatória, de acordo com sua escolha, livre, voluntária e subjetiva, isto é, dos valores individuais de cada pessoa. Assim, conclui-se, que o sistema econômico empregará de melhor forma os recursos escassos se eles estiverem sendo empregados de acordo com as preferências dos consumidores que se materializam no mercado e não pelos ditames governamentais. Por isso, o maior bem-estar social só pode ser atingido se o sistema econômico estiver livre da coerção estatal, ou, em outras palavras, que os indivíduos na posse de suas liberdades de escolha e de ação, não sejam coagidos pelo aparato de compulsão e coerção.

No Brasil, lamentavelmente, a obra dos economistas liberais da Escola Austríaca é ainda obscura entre os economistas e a comunidade acadêmica de modo geral, e não se credita essa obscuridade, única e exclusivamente, a conclusões teóricas que estes sujeitos chegaram, mas fundamentalmente é de ordem ideológica, o que é profundamente lamentável, pois quem sai perdendo são os economistas que adquirem uma formação estreita da ciência que estudaram e, por conseqüência, a sociedade como um todo. Pois as medidas econômicas adotadas pelos governos refletem diretamente na vida das pessoas, e se erradas forem, toda sua gravidade recaí sobre a população.

No Brasil, o Instituto Liberal, com todas as suas limitações e restrições, têm feito um trabalho de Hércules ao traduzir e publicar algumas das obras de Eugen von Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, Friedrich A. von Hayek e de toda tradição da Escola Austríaca de Economia. Levando em conta essa considerações, o Instituto conseguiu -- mesmo que de forma desproporcional ao que se publica de literatura keynesiana e marxista no Brasil --, arejar um pouco o ar que se respira nos meios acadêmicos com a publicação de importantes obras relacionadas com a teoria econômica “austríaca”.

Diante desse quadro, a tradição austríaca do pensamento econômico precisa ser divulgada e debatida no meio acadêmico brasileiro, e a UNIJUÍ já pode se considerar uma das pioneiras no Brasil, pois fora alguns raros centros de excelência, a Escola Austríaca segue relegada ao opróbrio e a ignorância nos assuntos econômicos pode condenar uma nação à miséria. É dentro desse contexto que o evento organizado pelo departamento de Economia da UNIJUI e os colegas do grupo PET vem proporcionar o bom debate. Com certeza, será uma oportunidade ímpar para conhecermos ou ampliarmos nossos conhecimentos na ciência que nos propomos a estudar, pois dela deriva as principais medidas adotadas pelos governos para solucionar os problemas da pobreza, da desigualdade e da falta de prosperidade que grassa nosso país.



Evento: A Escola Austríaca de Economia e as Perspectivas para a Economia Brasileira
Palestrante: Alfredo Marcolin Peringer
Onde? Na UNIJUÍ, Ijuí, RS, auditório da FIDENE
Quando? 16 de Setembro de 2004
Horas? 19:30

A Entrada é Franca!